Mulher é investigada por acobertar estupro da filha
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul realizou, na manhã de quinta-feira, 19 de março, a prisão de um homem de 43 anos suspeito de cometer o crime de abuso sexual contra uma menor de 13 anos. O caso, ocorrido em Campo Grande, choca pela complexidade: a própria mãe da filha vítima está sob investigação por suspeita de atuar como cúmplice e acobertar os atos criminosos em troca de benefícios financeiros.
Detalhes do crime e a prisão do suspeito
As investigações apontam que o homem manteve um relacionamento afetivo com a adolescente entre setembro de 2024 e fevereiro de 2025. O caso chegou ao conhecimento das autoridades após o registro de um boletim de ocorrência no ano passado, o que deu início ao monitoramento pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca).
O mandado de prisão preventiva foi expedido pelo Poder Judiciário após a coleta de provas robustas. O suspeito foi localizado e detido em seu local de trabalho. Durante a ação, os agentes apreenderam um aparelho celular que passará por perícia técnica para a extração de dados que possam consolidar o inquérito.
Conivência materna e exploração
Um dos pontos mais alarmantes da investigação é a participação da mãe da vítima. Segundo a Polícia Civil, existem fortes indícios de que a mulher não apenas sabia do relacionamento, como também o incentivava. Relatos indicam que ela autorizava a filha a dormir na residência do autor e recebia quantias em dinheiro como compensação.
Além da negligência e exploração, a mãe teria manifestado a intenção de prestar depoimentos falsos à polícia com o objetivo de proteger o agressor e impedir a responsabilização criminal. A conduta da mulher segue sob rigorosa apuração, e ela poderá responder por omissão e conivência no crime de estupro de vulnerável.
A importância da denúncia no combate ao abuso
O suspeito já foi encaminhado ao sistema prisional, onde aguardará o julgamento. O delegado responsável pelo caso, Luca Basso, reiterou que o sucesso da operação reforça o compromisso das forças de segurança com a proteção de vulneráveis.
“A elucidação deste caso demonstra a prioridade conferida a essas ocorrências e reforça a importância das denúncias, que são fundamentais para interromper ciclos de violência”, destacou Basso. A Depca orienta que qualquer suspeita de abuso contra criança ou adolescente deve ser denunciada imediatamente pelo Disque 100 ou diretamente nas delegacias especializadas.
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Pablo, acho que já está na hora de o jornal adequar a linguagem aos conceitos corretos ao se referir a pessoas com menos de 18 anos. De acordo com o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente e com o Estatuto da Criança e do Adolescente, considera-se criança a pessoa com até 12 anos incompletos e adolescente aquela entre 12 e 18 anos incompletos. Portanto, esses são os termos juridicamente corretos e socialmente adequados. O uso da expressão “menor” está associado a uma concepção ultrapassada, herdada do período do antigo Código de Menores, quando crianças e adolescentes eram vistos principalmente sob uma lógica tutelar, muitas vezes vinculada à ideia de abandono, perigo social ou infração, e não como sujeitos plenos de direitos. Além disso, o termo carrega um peso histórico negativo, porque durante muito tempo foi utilizado de forma seletiva para rotular principalmente crianças e adolescentes pobres, reforçando estigmas como o de “menor infrator”. Essa expressão acaba reproduzindo preconceitos e invisibilizando a mudança de paradigma trazida pela Constituição de 1988 e pelo ECA, que passaram a reconhecer crianças e adolescentes como pessoas em condição peculiar de desenvolvimento e detentoras de direitos fundamentais. Por isso, é importante que o jornalismo em Paranaíba também esteja atento a essa linguagem, já que a forma como a imprensa nomeia as pessoas influencia diretamente a maneira como a sociedade as percebe. Sempre que vejo matérias de vocês tratando crianças e adolescentes como “menor”, percebo a necessidade desse cuidado maior com a terminologia, porque linguagem também é compromisso com direitos e com informação de qualidade.