Árbitro saca arma durante jogo de crianças de 11 e 12 anos em Campo Grande
Um árbitro sacou uma arma durante uma partida de futsal entre crianças de 11 e 12 anos, no sábado, 26 de agosto, em uma escola particular do bairro Jardim Monte Líbano, em Campo Grande. Segundo a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PMMS), o homem, de 55 anos e policial militar da reserva, afirmou ter sido vítima de ofensas raciais e ameaças antes de retirar a arma, que estava registrada em seu nome.
A ocorrência aconteceu durante um campeonato de categorias de base. A Polícia Militar foi acionada após um tumulto provocado por uma discussão relacionada às decisões da arbitragem.
Árbitro diz ter sido vítima de ofensas raciais
Conforme o relato registrado pela Polícia Militar, o árbitro afirmou que começou a receber xingamentos e ofensas de cunho racial depois de decisões tomadas durante a partida.
Segundo o relato, algumas das ofensas teriam sido feitas por pais de atletas que estavam na arquibancada.
Ainda de acordo com a PMMS, alguns envolvidos entraram na quadra para confrontar o árbitro. Um deles teria feito gestos que indicavam estar armado.
O árbitro relatou aos policiais que percebeu risco à própria integridade física.
Arma foi sacada durante o jogo de crianças
Segundo a versão apresentada pelo árbitro à Polícia Militar, diante da aproximação dos envolvidos, ele foi até seus pertences, retirou a arma de uso pessoal e passou a empunhá-la.
A PMMS informou que não houve disparos nem uso de força letal contra outras pessoas.
Um técnico que estava no local também teria relatado aos policiais que presenciou o gesto feito por um dos pais em direção ao árbitro. Segundo a corporação, esse relato ajudou a confirmar a percepção de risco informada pelo árbitro.
Os suspeitos das ofensas e da invasão da quadra já haviam deixado o local quando a Polícia Militar chegou.
Imagens da partida serão analisadas
A partida estava sendo transmitida pela internet. De acordo com a PMMS, o material audiovisual foi preservado e será encaminhado à Polícia Civil.
As imagens poderão ajudar na identificação das falas, das possíveis ofensas e na reconstrução da dinâmica do episódio.
A arma apresentada pelo árbitro também foi conferida e registrada no boletim de ocorrência.
O caso foi encaminhado à delegacia responsável pela área para os procedimentos relacionados às denúncias de injúria racial, ameaça e vias de fato.
Corregedoria vai apurar conduta do policial
Além da investigação conduzida pela Polícia Civil, a Corregedoria-Geral da PMMS informou que fará os procedimentos internos para apurar a conduta do policial militar da reserva.
Em nota, a corporação afirmou que repudia qualquer forma de racismo ou discriminação e que os fatos relacionados à ocorrência serão apurados.
Organização retira árbitro dos próximos jogos
Após o episódio, a organização do campeonato informou que o árbitro não será escalado para as próximas partidas.
A organização também solicitou à Federação Escolar de Esporte de Mato Grosso do Sul (Feems) que faça a apuração e preste esclarecimentos sobre o caso.
Outra medida anunciada foi a realização dos próximos jogos sem a presença de torcedores.
Com isso, o acesso ao ginásio ficará restrito a atletas, integrantes das comissões técnicas, equipe de arbitragem e profissionais autorizados pela organização.
Segundo a empresa responsável pela competição, a decisão foi tomada como medida de segurança para atletas, professores, árbitros e demais participantes.
Torcedores relatam correria após árbitro voltar armado
Uma testemunha ouvida pelo Jornal Midiamax relatou que o árbitro teria deixado a quadra e retornado ao local armado.
Segundo essa pessoa, os torcedores correram para fora do ginásio e acionaram a polícia.
A organização do campeonato também confirmou que o árbitro é policial militar e afirmou ter recebido informações de que pais de atletas teriam entrado na quadra para confrontá-lo.
As versões apresentadas pelas pessoas envolvidas deverão ser analisadas pelas autoridades responsáveis pela investigação.
Campeonato reúne crianças e adolescentes
A competição reúne atletas das categorias Sub-7 ao Sub-16 e começou em agosto.
Os jogos são realizados aos sábados, domingos, segundas e quartas-feiras, em diferentes horários e locais.
Na partida em que ocorreu o episódio, os jogadores tinham entre 11 e 12 anos.
A organização informou que nenhuma discordância em relação às decisões da arbitragem justifica ofensas, intimidações, invasão da quadra ou comportamentos que possam colocar participantes em risco.
A empresa também afirmou que considera preocupante a presença de uma arma de fogo durante um conflito em uma competição esportiva voltada para crianças e adolescentes.
Investigação
A Polícia Civil deverá analisar as imagens da transmissão e os demais elementos registrados na ocorrência. A Corregedoria da PMMS também realizará uma apuração interna sobre a conduta do policial militar da reserva.
Até o momento, as informações divulgadas apresentam versões de diferentes pessoas sobre o episódio. A investigação deverá esclarecer as circunstâncias da ocorrência.

