Paranaíba, Mato Grosso do Sul, Brasil

Advogadas são multadas em R$ 84 mil por tentar enganar inteligência artificial da Justiça

Advogadas são multadas em R$ 84 mil por tentar enganar inteligência artificial da Justiça
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Duas advogadas que atuam na cidade de Parauapebas, no Pará, receberam uma multa de R$ 84,2 mil. A punição aconteceu porque elas tentaram usar um truque digital para confundir a inteligência artificial do Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região.

O caso foi identificado pelo juiz Luis Carlos de Araujo Santos Júnior. Ele percebeu que as profissionais colocaram um comando escondido dentro de um documento enviado ao tribunal. Segundo a decisão, essa atitude foi considerada um ato contra a dignidade da Justiça.

Como funcionava o comando escondido

As advogadas usaram uma técnica chamada de injeção de comando. Elas escreveram uma instrução específica na petição usando letras brancas sobre um fundo branco. Como as letras tinham a mesma cor do papel digital, uma pessoa comum não conseguia ler o texto ao olhar para a tela.

Porém, a inteligência artificial do tribunal, chamada de Galileu, consegue ler todos os dados do arquivo. O comando escondido dizia para a inteligência artificial analisar o documento de forma superficial e não questionar as provas apresentadas. O objetivo era fazer com que o sistema do tribunal não encontrasse falhas nos argumentos das advogadas.

A descoberta e o valor da multa

O juiz responsável pelo caso descobriu a tentativa de manipulação e decidiu aplicar uma multa de 10% sobre o valor da causa. Como o processo envolvia mais de 842 mil reais, a multa para as advogadas ficou em pouco mais de 84 mil reais.

O tribunal também enviou um aviso sobre o ocorrido para a Ordem dos Advogados do Brasil no Pará. De acordo com especialistas em tecnologia, essa prática é grave pois tenta enganar o sistema que ajuda os juízes a tomarem decisões de forma mais rápida e justa.

O que dizem as advogadas envolvidas

As advogadas Alcina Medeiros e Luanna Alves divulgaram uma nota oficial sobre o caso. Elas afirmaram que não concordam com a multa e que vão recorrer da decisão. Segundo elas, a intenção não era enganar o juiz ou o tribunal, mas sim proteger o cliente da própria inteligência artificial.

As profissionais defendem que agiram dentro da lei e da ética. Elas acreditam que houve um erro de interpretação por parte do tribunal e esperam que a punição seja cancelada após o recurso.

Riscos para o uso da tecnologia na Justiça

Representantes da OAB explicaram que documentos em formato PDF podem esconder vários tipos de comandos invisíveis aos olhos humanos. Essa situação serve de alerta para que tribunais e outros escritórios fiquem atentos à segurança digital.

A tentativa de manipular sistemas automáticos é vista como uma quebra de confiança no processo judicial. Para a Justiça, todos os documentos devem ser transparentes e leais, sem armadilhas tecnológicas para tentar ganhar uma causa.

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Pablo Nogueira

Jornalista, fotógrafo, editor chefe do portal InterativoMS e apaixonado por inovação e política.

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