Uma ação integrada de fiscalização realizada na noite de sábado, 03 de janeiro, no Posto Esdras, em Corumbá, evitou que uma quantia milionária de dinheiro falsificado entrasse em circulação no país. A operação, conduzida por agentes da Receita Federal e pela Polícia Militar, contou com a atuação estratégica de um Sargento da PM de Paranaíba, destacando a importância da cooperação policial nas fronteiras.
Durante a abordagem a um táxi de placa boliviana, as autoridades encontraram milhares de cédulas falsas, tanto de reais quanto de dólares. O volume apreendido foi tão expressivo que a contagem exata não pôde ser realizada de imediato devido ao número reduzido de servidores no plantão noturno. Contudo, a Receita Federal estima que o valor esteja na casa dos milhões.
O argumento do “Ritual à Pachamama”
O que mais surpreendeu as autoridades, além da quantidade de notas falsas, foi a justificativa apresentada pelo motorista. O taxista, cuja identidade foi preservada, alegou que o dinheiro havia sido impresso em Santa Cruz de la Sierra (a 600 km da fronteira) e seria distribuído a trabalhadores bolivianos em feiras livres de Corumbá.
Segundo ele, as cédulas não tinham o objetivo de fraudar o comércio, mas sim de serem usadas em um ritual de gratidão à Pachamama (Mãe Terra). Na tradição andina, é comum o enterro de oferendas para pedir prosperidade. No entanto, as autoridades contestaram a versão, lembrando que tais cerimônias ancestrais ocorrem tradicionalmente no mês de agosto, o que gerou contradição imediata no depoimento.
Crime contra a ordem econômica
Apesar da tentativa de justificar o ato com viés cultural, a lei brasileira é rigorosa. Em nota oficial, a Receita Federal reforçou que, embora as tradições devam ser respeitadas, “nenhuma prática que envolva crimes contra a ordem econômica e financeira pode se sobrepor às leis brasileiras”.
O Código Penal Brasileiro tipifica a falsificação de moeda como crime grave. A pena prevista é de reclusão de três a doze anos, além de multa. Diante da flagrante ilegalidade, o taxista foi detido e encaminhado à Delegacia de Polícia Federal em Corumbá. A PF agora assume o inquérito para investigar a origem exata da falsificação e se haveria uma rede maior de distribuição dessas notas.
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