A Polícia Civil de São Paulo identificou o corpo de uma mulher encontrado esquartejada e ocultado dentro de uma mala na capital paulista, na manhã desta quinta-feira, 19 de fevereiro. A vítima tinha 34 anos, mas, até o momento, as autoridades optaram por não divulgar o seu nome. As informações oficiais foram confirmadas pela Secretaria da Segurança Pública (SSP) do estado.
O crime brutal chocou os moradores da região e reacendeu o debate sobre a escalada da violência letal contra o gênero feminino no país, que vem registrando números alarmantes nos últimos anos.
A descoberta do corpo e as investigações da Polícia
A localização do cadáver ocorreu na zona sul da cidade. Agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) foram acionados para atender a uma ocorrência de descarte suspeito em um córrego no bairro de Parelheiros. Ao chegarem ao local e abrirem a mala, os guardas constataram que se tratavam de partes de um corpo humano.
Imediatamente, o Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) assumiu o caso e instaurou um inquérito policial para investigar as circunstâncias do crime, que foi registrado inicialmente como homicídio. Em nota, a SSP esclareceu os próximos passos: “Exames periciais foram requisitados e serão analisados pela autoridade policial assim que finalizados. As diligências prosseguem para identificar a autoria e a motivação do crime”.
Violência contínua: Feminicídio em Diadema
O caso em Parelheiros soma-se a outro episódio trágico ocorrido nesta mesma semana na Grande São Paulo. Na noite de terça-feira (17), uma mulher de 27 anos foi assassinada a tiros pelo ex-companheiro no município de Diadema (SP).
Segundo a Polícia Militar, o autor dos disparos havia ido até a casa da vítima sob o pretexto de buscar o filho do casal. Durante o ataque, a mãe da jovem também foi atingida pelos tiros, mas foi socorrida e sobreviveu. O crime foi registrado pelas autoridades como feminicídio consumado e feminicídio tentado.
Após uma rápida investigação, o suspeito foi localizado e preso na noite de quinta-feira (19), em cumprimento a um mandado de prisão temporária. A arma utilizada para matar a vítima foi apreendida. Um dia antes, a polícia já havia localizado o carro usado na fuga, abandonado em uma via pública em São Bernardo do Campo. Na residência do agressor, as equipes apreenderam dois carregadores de pistola e diversos estojos de munição deflagrados.
Brasil atinge número recorde de feminicídios
Os crimes bárbaros ocorridos em São Paulo refletem uma crise de segurança pública nacional. Segundo dados recentes do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Brasil atingiu o recorde histórico de 1.518 vítimas de feminicídio em 2025. O número assustador marca exatamente a década desde que a Lei do Feminicídio foi sancionada, tipificando no Código Penal o homicídio de mulheres no contexto de violência doméstica ou discriminação de gênero.
A tendência de alta já vinha sendo observada. No ano de 2024, o país havia contabilizado 1.458 vítimas fatais. Especialistas alertam para a falha nas políticas de proteção.
“Se esse crescimento de feminicídios está acontecendo, isso é uma omissão do Estado, porque esse é um crime evitável”, avalia Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), ressaltando a urgência de medidas mais duras e redes de apoio mais eficazes para proteger as brasileiras.
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