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Paranaíba - MS,

Saudades da Expô!

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Última Atualização: 01/7/2016 12:29:43


Fernando Murillo


Uma semana antes da Expopar sempre era motivo para reforçar os pedidos ao meu avô, saudoso Chiquito, para que nos levasse ao Parque de Exposições “Daniel Martins Ferreira” e assim pudéssemos contemplar a montagem dos tão aguardados brinquedos do parquinho. Tromba-tromba (ou bate-bate) era o preferido à época e dividia com carrossel, roletas, tiro ao alvo (o de derrubar as garrafas ainda é mistério) monga, barco vicking, kamikaze e samba, o espaço que seria o mais divertido para nós, crianças.

Ao paranaibense que, como eu, cresceu com a expectativa da Expopar, as percepções, os anseios e também os objetivos no parque foram se transformando. Do parquinho e até fliperama, passava-se a fazer mais sentido, posteriormente, as barraquinhas de artigos vindos do Paraguai. Também eram comercializados brinquedos de diversos gostos. Arminhas de espoleta, depois dariam lugar a arminhas de bolinha que, por fim, dariam lugar à proibição.

Fones de ouvidos, bonecos dos cavaleiros do zodíaco, caixas de som, meias aos quilos, tênis de marca falsetas e mais acessíveis, bem como roupas de todos os jeitos, faziam ao seu modo a alegria de quem não tinha condição de comprar mais que um desses artigos, pois era necessário optar por um só desejo. Claro que, também, é tudo muito subjetivo e sempre tínhamos os amigos que conseguiam todos os cavaleiros do zodíaco, mas, quando mais velho a gente descobre que não ter tido tudo, ainda que por limitação financeira, seria muito importante para valorizarmos mais as coisas que hoje conquistamos. Mas vai explicar isso a uma criança.

Dessa idade de criança/adolescente, passava-se, então, à fase de jovem. Os parquinhos não seduziam mais. Nem mesmo as montanhas-russsas, brinquedo mais adulto, uma evolução à época, tinham mais poder sobre as vontades dos jovens. Agora as boates é que faziam a alegria. Primeiro “perereca loka”, depois as boates fechadas e as festas que fariam inveja à própria festa, com grandes shows e casa lotada.

Assim, os jovens preteriam muitas vezes os rodeios e também os shows, esperando os portões se abrirem para ir à boate. Camarotes lotados, pistas vazias. As boates seguiam a velha elitização paranaibense de uma elite que se achava elite, mas que de elite tinha-se apenas 10%. Confesso que fiz parte da elite que se achava elite, mas quem não queria estar entre os “top” da balada? Risos.

Depois dessa fase, fui passando a preterir a boate. O rodeio, bem como os shows passaram a ser mais tolerados. Muito embora não tenha preferência por sertanejo sei reconhecer que o Sindicato tem primado por ótima qualidade de shows, assim como som, queima de fogos e estrutura, o que tem feito da festa um ambiente ainda mais agradável. Assim, muito amigos preferem hoje camarote, assim como seus pais e familiares. Muitos também preferem as arquibancadas e ficar naquela parte da festa, ao invés das boates.

Hoje confesso que não tenho mais tantas expectativas e isso é muito mais pessoal do que da Expopar, que este ano está com uma ótima grade de shows, a boate também está muito bem servida de atrações. Porém, tudo aquilo que um dia me fora interessante hoje não seduz mais tanto. Como disse, isso tem mais a ver com a gente do que com a exposição. Talvez seja o ano de crise, talvez seja a nostalgia que fornece uma comparação desleal com o passado ou talvez tenha que fazer como o ciclo natural das coisas, adaptar a uma das várias possibilidades da Expopar quando se é adulto.

Nada desse drama atual, no entanto, apagará a vontade eterna de comprar uma bola de exposição, uma maça, morango ou uva do amor, comer churros ao final da festa, pagar absurdo em um crepe suíço, levar cocada para minha avó, passar no lanche do portuga, se aventurar no cachorro quente com 20 tipos de molho, comer pastel na barraca do asilo, comer doce no espaço do centro espírita, saborear sorvete italiano, tentar entender qual graça tem aquele bingo que lota todo dia, passar e ver os bois, tomar uma pinga de maracujá na Jamel, beber um capeta na barraca de batida (pois só cerveja não há bolso de cachaceiro que aguente) e tirar foto com o jumentinho. Essa Expopar estará sempre no imaginário paranaibense. E nessa, todos vão com muito gosto e a deixam com muita saudade.
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