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Paranaíba - MS,

A seleção joga... E quem se importa?

Vivemos uma época em que tanto faz se a Amarelinha entra em campo; a não ser que ela perca, e então fazemos piadas

Última Atualização: 04/4/2016 10:16:03
Fernando Amaral

Já faz algum tempo que assistir à Seleção de Futebol não é aquele grande atrativo que outrora foi ao brasileiro, sequer àquele mais fanático pelo esporte bretão. O pior (sim, pode ser pior) é que acredito que o inesquecível 7 a 1 quase nada tem a ver com isso. O problema já vinha de um pouco antes e continuará existindo por um bom tempo, mesmo que a "tragédia" já tenha se amenizado.

O futebol brasileiro passa por um período de crise de ídolos. Nem mesmo Neymar, atual terceiro melhor jogador do mundo eleito pela FIFA, consegue ser unanimidade entre os tupiniquins. "Cai cai", "vive da mídia", "queridinho do Galvão" e tudo o que puderem dizer para crucificar aquele que é o atual terceiro melhor jogador do mundo (eleito pela FIFA). Sem ele, talvez, não haveria 7 a 1: aquela bola na trave de Pinilla na prorrogação contra o Chile teria entrado.

Não conseguimos enxergar ao menos onze atletas que nos representem vestindo a camisa pentacampeã do mundo. "Hulk? Nunca vi jogar aqui no Brasil. Faz uns gols lá na Rússia, mas, quando é convocado, não joga nada". David Luiz é outro que surgiu para o planeta somente na Europa. E apareceu com moral, logo indo para times de maior escalão no Velho Continente, conquistando muitos dos fãs pela vontade que demonstrava em campo. Pouco a pouco, foi passando a ser visto com outros olhos, o "guerreiro" passou a ser o "estabanado" e, pelo menos para mim, não poderia ter havido outro melhor capitão dos 7 a 1.

Já não é de hoje que torcemos quase que exclusivamente para os nossos times e mal ligamos para a Seleção. E talvez justamente o aumento da paixão pelo clube faz com que sintamos até raiva do combinado tupiniquim. Neste domingo, o Santos enfrenta o São Paulo pelo Campeonato Paulista com cinco desfalques que estão servindo à Amarelinha - dois na principal, de Dunga, e três na Olímpica, que, por ironia do destino, também será de Dunga.

O que vai motivar, então, o santista a torcer pelos comandados do capitão do tetra? Ricardo Oliveira, recentemente, quase foi parar na China junto com tantos outros brasileiros, mas acabou ficando. Lucas Lima tem despertado interesse de grandes europeus e não deve continuar no alvinegro praiano no segundo semestre. A valorização deles pode até ser boa para o Santos financeiramente, mas, enquanto paga seus salários, o clube quer mais é que o jogador vista a sua camisa e não o contrário. O torcedor, por sua vez, quer mais ainda.

Tudo isso é culpa do calendário apertado. Os clubes não se entendem com as federações estaduais, que não se entendem com a CBF, que não se entende com ninguém. Talvez nem ela mesma se entenda. Mas fica por isso mesmo. O que, antes, já foi motivo de orgulho para o país, nada mais é do que uma segunda opção hoje em dia. "A seleção joga quando mesmo? Contra quem? Se eu não estiver fazendo nada, vou assistir um pouco".
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